Diferente das tradicionais manifestações artísticas feitas com serragem ou sal colorido, a comunidade inovou e deu vida a um emocionante "Tapete Solidário", estendendo mantas, agasalhos e alimentos ao longo do caminho, transformando a arte em uma rede de proteção para famílias vulneráveis.
O Mistério da Eucaristia e a Presença Real
Durante a homilia, o Padre Irineu Caus relembrou as origens históricas e teológicas da data, explicando o conceito da transubstanciação — momento em que o pão e o vinho se tornam, de fato, o corpo e o sangue de Cristo.
"O principal propósito é celebrar a Eucaristia. Ela manifesta a presença real de Jesus; não é apenas uma representação ou uma simbologia. É o sustento, o remédio e o antídoto para a gente não desfalecer pelo caminho", destacou o sacerdote.
Para os fiéis presentes, como o ministro João Carlos Zawadski, a data carrega um simbolismo de proximidade coletiva. "Jesus se apresenta para caminhar junto conosco, com a comunidade. Esse chamado é para todos. Caminhando com Jesus, estamos expressando a nossa fé para todo o povo", afirmou.
Arte que se Reinventa em Solidariedade
A repórter Juscemari dos Santos destacou como a confecção dos tapetes de Corpus Christi ajuda a contar passagens bíblicas e a retratar a fé cristã. Em Pato Branco, essa tradição ganhou uma nova camada de significado através do voluntariado.
Em vez de materiais descartáveis, o trajeto foi decorado com:
Cobertores e mantas para enfrentar os dias mais frios;
Roupas e agasalhos em bom estado;
Alimentos não perecíveis (como arroz, macarrão e óleo).
O Padre Irineu explicou que o tapete se reinventa para se alinhar aos ensinamentos mais puros do Evangelho. "É um momento de oportunizar o gesto concreto, a solidariedade. O amor de Cristo nos une e nos traz compaixão. É o pedido contínuo de Jesus: 'O que fizerdes a um dos pequeninos, é a mim que o fazeis'. Caminhar com Jesus é ter o desejo de olhar ao nosso redor", pontuou.
Procissão e Destinação dos Donativos
Após o encerramento da celebração na Capela Menino Deus, teve início a tradicional procissão. O sacerdote, carregando o ostensório sob o pálio, foi acompanhado por ministros, coroinhas, pastorais, grupos de voluntários e uma multidão de fiéis que seguiram em oração até a Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
Os agasalhos e alimentos que deram forma ao tapete foram recolhidos imediatamente após a passagem da procissão e serão triados e distribuídos pelas pastorais sociais locais. Para a comunidade de Pato Branco, o Corpus Christi deste ano deixou uma marca clara: a expressão máxima da fé se faz viva quando estendemos a mão a quem mais precisa.