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Colégio SESI de Pato Branco realiza estudo sobre a Cultura Haitiana

Projeto desenvolvido por alunos do ensino médio e EJA promove inclusão social, combate preconceitos e valoriza a expressiva contribuição dos imigrantes haitianos para a economia e a sociedade brasileira.

Pato Branco (PR) – O Colégio SESI de Pato Branco realizou neste sábado uma etapa fundamental de seu projeto pedagógico voltado à imigração e à valorização da cultura haitiana. A iniciativa, conduzida na área de ciências humanas e sociais por alunos do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reuniu a comunidade escolar e imigrantes haitianos residentes no município para uma rica troca de experiências, exposições culturais e apresentação de oportunidades de integração.

O projeto tem como pano de fundo o histórico fluxo migratório iniciado após a catástrofe humanitária que atingiu o Haiti em 2010. Desde então, a comunidade haitiana tem se integrado ativamente à sociedade pato-branquense, fortalecendo a economia local e trazendo uma herança cultural rica e diversa.

Segundo o gestor escolar Cleverson da Silva, a iniciativa busca desconstruir olhares superficiais muitas vezes veiculados pela grande mídia e aprofundar o conhecimento sobre o povo haitiano. "A mostra revela a cultura haitiana e desse povo que veio para cá por conta da catástrofe de 2010. Desde então, eles têm contribuído com a nossa economia, se integrando na sociedade e fazendo parte do nosso país. Percebemos, através da pesquisa com os alunos, que a cultura haitiana é muito rica, indo muito além do que é veiculado na mídia de forma genérica", destacou.

Educação, Cidadania e Empatia Prática

A proposta pedagógica tem gerado forte impacto na formação dos estudantes. O aluno Guilherme Scheid, do ensino médio do Colégio SESI — que também participa de atividades acadêmicas em Londrina —, ressaltou a relevância da vivência prática para o desenvolvimento do projeto: "As cidades têm o lado bom e o lado ruim. Esse projeto implementou muito mais pra gente apresentar lá para Londrina, sendo uma experiência que agrega quase 100%".

A diretora escolar Jackeline Campos pontuou o compromisso da instituição com a responsabilidade social: "É um trabalho de uma responsabilidade social muito boa e muito grande. Os alunos estão de parabéns por mostrarem a integração e abrirem portas para essa comunidade, apresentando também os cursos disponíveis na instituição, oportunidades de trabalho na região e auxiliando no processo de adaptação daqueles que chegaram há poucas semanas".

O papel transformador da educação

Presente no Brasil há 11 anos e atuando diretamente no suporte aos recém-chegados, o professor Marcelin Pierre reforçou a importância de iniciativas educacionais para a emancipação e o sucesso dos imigrantes. Ele é uma das lideranças da Organização Universal para o Desenvolvimento Sócio-Cultural (Oudes), criada em 2007 para auxiliar na adaptação dos haitianos.

"Nós criamos uma associação cujo objetivo é fazer a integração dos haitianos recém-chegados. Temos aulas de português aos sábados para que, após aprenderem o idioma, eles possam ingressar em uma faculdade ou aprender uma profissão técnica. A educação é a chave do sucesso e pode abrir portas que a força não conseguiria", afirmou Marcelin, destacando também que o projeto aborda as dificuldades cotidianas enfrentadas pelos imigrantes, como a burocracia documental e as barreiras jurídicas locais.

Próximos Passos

Todo o acervo de pesquisa, as vivências e os resultados da mostra cultural desenvolvidos ao longo dos últimos meses pelos estudantes do Colégio SESI serão apresentados na próxima edição da Feira de Iniciação Científica do Paraná, levando o exemplo de Pato Branco para todo o estado.


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