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Pato Branco realiza Conferência Municipal de Saúde com baixa presença de delegados

A comunidade pato-branquense esteve reunida para participar da 14ª Conferência Municipal de Saúde, um espaço institucional planeado para debater, avaliar e consolidar os programas e políticas públicas que nortearão o setor nos próximos anos. Contudo, apesar da extrema relevância das pautas, o evento foi marcado por uma contradição: registou-se uma baixa adesão e presença dos delegados representativos na plenária.

Planeamento Estratégico e Etapas Superiores

A secretária municipal de Saúde, Márcia Fernandes de Carvalho, lembrou que a conferência ocorre a cada quatro anos e funciona como o alicerce fundamental para a construção democrática da gestão, servindo de base para as etapas subsequentes a níveis estadual e nacional.

"A saúde é feita com o todo. Para a formação desta democracia da saúde e da gestão, ela é feita por usuários, gestores, trabalhadores em saúde e prestadores de serviço. Esse conjunto de segmentos — com os usuários representados por diversas entidades — debate políticas públicas que depois se transformarão em serviços, orçamento e tudo o que precisamos para construir uma boa saúde no nosso município", destacou a secretária.

O Desafio da Participação Popular

Ao todo, 60 delegados que representam a sociedade civil organizada de Pato Branco estavam oficialmente credenciados para participar ativamente da conferência. No entanto, o quórum de participantes efetivos na votação e nos debates foi consideravelmente menor do que o esperado.

Essa baixa assiduidade gerou questionamentos e reflexões nos bastidores sobre as estratégias de mobilização da comunidade e qual seria o momento ideal para a população exercer esse direito, entregando indicações e cobrando melhorias diretamente das autoridades.

A Visão do Executivo Municipal

O prefeito Géri Dutra participou do encontro e trouxe uma ótica humanizada sobre a complexidade da gestão da saúde pública, reconhecendo o sentimento de urgência da população e destacando os investimentos estruturais da gestão:

"A saúde é um tema delicado e de extrema sensibilidade humana, uma vez que lida diretamente com a dor e a pressa de quem aguarda por um procedimento ou cirurgia. A pessoa não quer ficar a sentir dor ou esperar por tempo determinado. O município tem feito muitos esforços para superar todas as dificuldades. Estamos preocupados em expandir as estruturas físicas — como a nova unidade no bairro Anchieta, a ampliação do pronto-atendimento para se tornar uma nova UPA e o novo Centro de Especialidades Regional (CER) — além da contratação de profissionais. A saúde é muito ampla: resolvemos um problema, aparecem outros, e haverá sempre essa dinâmica."

Espaço Vital de Escuta

Representantes de fora do município também acompanharam os trabalhos. Marina Martins, vinda de Curitiba para representar o Conselho Estadual das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (COSEMS/PR), ressaltou a importância transformadora que esses eventos têm assumido. Deixaram de ser meros ritos burocráticos para se tornarem "ambientes vitais de escuta das necessidades da comunidade para que as políticas possam, de facto, ser aplicadas na prática".

Reforçando essa perspetiva, o delegado Sabino Oltramari, presidente do asilo Lar dos Idosos São Francisco de Assis, reforçou que a conferência legitima os anseios de quem vive o dia a dia da cidade: "É o momento de trazer aquilo que a gente sente como necessidade, seja na nossa rotina de condução do Lar, seja como usuário da saúde pública, trazendo sugestões de melhoria".

Apesar do quórum reduzido na edição deste ano, as propostas aprovadas seguem como diretrizes formais para o planeamento orçamentário do município, mantendo aberto o canal democrático de monitoramento social.


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