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DEBATE NA UTFPRPB DISCUTE IMPACTOS DO EL NIÑO E DA CRISE CLIMÁTICA

As mudanças no clima já deixaram de ser uma previsão para o futuro e se tornaram parte do cotidiano de muitas pessoas. Fenômenos extremos como enchentes, longos períodos de estiagem e prejuízos severos na agricultura acenderam o alerta para a necessidade urgente de planejamento. Diante desse cenário desafiador, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus de Pato Branco, promoveu um encontro que reuniu especialistas, autoridades e representantes de diversos setores para discutir os efeitos do fenômeno El Niño e debater estratégias de adaptação.

Um dos principais temas abordados no evento foi a urgência de preparar o ambiente urbano para as transformações climáticas atuais e futuras. O deputado estadual Goura enfatizou a relevância do planejamento preventivo que envolve o poder público.

"A gente fala alguns termos chaves, né? Adaptação, ou seja, a gente construir um ambiente urbano que esteja preparado para essas mudanças. E isso envolve o mapeamento de áreas de risco... saber quais são as áreas suscetíveis a deslizamentos de terra, áreas que podem ter enchentes, podem passar por alagamentos", destacou Goura.

O parlamentar também alertou para a recorrência de ondas de calor severas — mencionando, como exemplo paralelo, os episódios enfrentados na Europa — e ressaltou que essas soluções precisam ser pensadas e construídas de forma coletiva, e não apenas individual.

Estratégias de Mitigação nas Cidades

A previsão de especialistas aponta para uma maior frequência de precipitações severas, o que exige respostas imediatas por parte dos municípios na readequação de suas infraestruturas. Mario Tagliaria, professor e pesquisador da UTFPR, reforçou o papel de estratégias de mitigação no espaço urbano.

  • Infraestrutura: Ampliação dos sistemas de escoamento e drenagem de água nas cidades.

  • Planejamento verde: Maior arborização para mitigar e atenuar os impactos de eventuais enchentes.

  • Conscientização: Ações básicas do cotidiano, como a destinação correta do lixo para evitar entupimentos.

Tagliaria relembrou ainda os eventos ocorridos entre os anos de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul como um caso emblemático de como as fortes chuvas combinadas podem afetar gravemente a dinâmica de um estado inteiro, reforçando que os municípios do Paraná devem se adiantar para evitar cenários semelhantes.

Resgate de Saberes Ancestrais e Sustentabilidade

O debate também abriu espaço para visões tradicionais e práticas sustentáveis de manejo da terra. Adelar Fagpri, representante das comunidades indígenas locais, pontuou as perdas que esses povos sofreram com o avanço da monocultura em seus territórios ao longo do tempo.

Como alternativa para restabelecer o equilíbrio e fortalecer a relação entre o ser humano e a natureza, ele apontou soluções que unem tradição e preservação.

  • Agroecologia: Sistemas de produção que dispensam o uso de defensivos químicos e respeitam os ciclos naturais.

  • Sistemas Agroflorestais: Uma prática tradicional que integra a produção de alimentos com a conservação da floresta nativa, promovida atualmente por meio de um trabalho de resgate cultural com as famílias indígenas.

A Necessidade de uma Ação Conjunta

Ao término do encontro, o consenso entre os participantes reforçou que os eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais intensos e frequentes. A mitigação dos impactos ambientais, sociais e econômicos decorrentes da crise climática dependerá, fundamentalmente, de uma articulação direta entre os governos, a comunidade científica, o setor agrícola e a sociedade civil organizada.


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