O reconhecimento nacional deve-se à criação da Separa, uma startup focada em resolver um problema global: a gestão correta dos resíduos sólidos urbanos.
O que é a Startup Separa?
A Separa desenvolveu uma tecnologia inovadora que transforma a reciclagem numa ação recompensadora para os cidadãos. Unindo a experiência prévia da equipa em sistemas de fidelização e cashback, a startup criou um conceito que funciona como uma "multa do bem".
O sistema funciona através de três pilares:
Sacos de lixo inteligentes: Equipados com etiquetas de tecnologia RFID (identificação por radiofrequência).
Camiões adaptados: Os veículos da recolha seletiva são equipados com antenas que leem as etiquetas RFID automaticamente no momento da recolha.
Moeda Digital: Quando o cidadão separa o lixo corretamente em casa e este é recolhido, o sistema valida a ação e credita de forma automática uma moeda digital na conta do utilizador.
Esta recompensa financeira pode ser utilizada na feira do produtor local, em eventos desportivos e em atividades culturais promovidas pelo município, movimentando e fortalecendo a própria economia local.
"Nós juntamos a perícia que já tínhamos de fidelização, cashback e geração de benefícios para incentivar a separação correta do lixo. Criámos uma espécie de 'multa do bem', onde bonificamos quem está a fazer o correto", explica Bruna Jochem.
Expansão de mercado e novas conquistas
Após o sucesso de um projeto-piloto validado na cidade de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Estado, e de receber um aporte financeiro através do programa Anjo Inovador, do Governo do Estado, a Separa encontra-se agora em fase de expansão comercial, negociando a implementação da tecnologia com outros municípios da região Sudoeste.
Além do prémio Upstarts, a startup alcançou outra vitória marcante: foi uma das cinco selecionadas em toda a Região Sul no concurso da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Este novo processo de aceleração voltado para o empreendedorismo feminino trará mentorias e novos investimentos.
O papel da Incubadora de Pato Branco
Para além do mérito tecnológico, a conquista valida o ecossistema de inovação de Pato Branco. Ana Marques, gestora da incubadora local, ressalta que o foco do trabalho vai muito além do produto.
"Nós não desenvolvemos apenas o projeto, procuramos desenvolver o empreendedor. Quando vem uma premiação como esta, é um reconhecimento para a startup e para o ambiente de inovação. Se o empreendedor não acolhe as mentorias e não participa, o projeto não evolui", destaca Ana.
Quebrando barreiras no setor tecnológico
A trajetória de Bruna ganha ainda mais relevância num cenário onde a presença feminina ainda procura espaço. Das 18 startups atualmente instaladas na incubadora do Parque Tecnológico de Pato Branco, apenas quatro são lideradas por mulheres.
Bruna reconhece os desafios, mas vê o momento com otimismo e coragem: "O setor da tecnologia e o empreendedorismo são maioritariamente masculinos. Encontramos muitos desafios e somos geralmente a minoria. Mas é encorajador. Encontramos também empreendedoras muito fortes e empenhadas, e isso serve de inspiração."
Com o apoio do ecossistema local e os recentes reconhecimentos nacionais, a Separa prova que as soluções para os grandes desafios do planeta podem nascer da força do empreendedorismo regional.