AO VIVO:

Simepar não confirma tornado em Beltrão

Fenômeno meteorológico causou estragos em estabelecimento comercial e arremessou veículo na noite de segunda-feira; especialistas explicam as diferenças entre as ocorrências.

O temporal e os estragos

As imagens impressionantes registradas no início da noite da última segunda-feira (21) em Francisco Beltrão chamaram a atenção de moradores e viralizaram nas redes sociais. Um forte temporal atingiu a cidade, causando danos materiais significativos em um estabelecimento comercial do município.

No local, parte da cobertura de lona e estrutura metálica foi arrancada pela força dos ventos, e um dos postes de sustentação chegou a quebrar. A violência da tempestade foi tanta que a traseira de um carro estacionado foi levantada e arremessada sobre outro veículo. Apesar do susto e dos prejuízos materiais — inclusive para pessoas que praticavam atividades esportivas no momento e felizmente não se feriram —, a Defesa Civil confirmou que não houve registros de feridos.

O que diz a Meteorologia: Não foi tornado

Diante da repercussão e da intensidade dos estragos, a equipe de meteorologistas do Simepar analisou imagens de radar, satélite, fotos e vídeos repassados pela Defesa Civil. A conclusão técnica descartou a ocorrência de um tornado em Francisco Beltrão. Nenhuma das análises apontou sinais característicos desse tipo de fenômeno na região.

O engenheiro da Defesa Civil, Marcelo Monteiro da Correggio, explicou detalhadamente o fenômeno real que atingiu o município: o microburst (ou microexplosão).

"É um fenômeno de vento que desce vertical das nuvens por conta da temperatura de topo dela. Quando ele atinge o chão, ele espalha divergente para todos os lados. Quando ele é extremamente localizado por conta do diâmetro, é um microburst ou microexplosão", esclareceu o engenheiro.

Diferença estrutural

Segundo a Defesa Civil, enquanto um tornado deixa marcas evidentes de rotação (como árvores com cascas em formato de "L" ou estruturas metálicas torcidas), o microburst caracteriza-se por ventos fortes e localizados que sopram de cima para baixo.

No caso do veículo arremessado, o engenheiro comparou o evento físico ao impacto causado por uma rajada de vento que atinge a traseira de caminhões em rodovias, gerando uma turbulência por descolamento de camada limite (vórtice ciclônico horizontal) que ergueu a parte mais leve do automóvel de cerca de 450 kg, deixando a dianteira (mais pesada) firme no solo. A arquitetura específica do imóvel atingido também acabou contribuindo para o desfecho e rompimento da estrutura central com o impacto vertical do vento.


Se gostou compartilhe:

Publicidade

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com este monitoramento.

Aceitar