A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foi palco de um importante seminário voltado a discutir medidas de prevenção e redução dos impactos da deriva de herbicidas, um problema recorrente que afeta severamente a produção agrícola regional, com destaque para a viticultura.
O evento mobilizou produtores rurais, estudantes, técnicos e representantes de instituições do setor para buscar soluções conjuntas. O foco principal é a proteção de culturas sensíveis, como as videiras, que podem sofrer perdas totais de até 100% da produção devido ao transporte indesejado de produtos químicos pelo vento.
O Perigo da Deriva na Viticultura
Para a produção de grãos em larga escala, diferentes tipos de herbicidas são aplicados nas lavouras. No entanto, quando essas plantações estão localizadas próximas a áreas de videiras, os produtos químicos podem ser levados por correntes de vento até os parreirais vizinhos, comprometendo a colheita e podendo levar à morte das videiras.
Segundo Tales Lehr, representante da Secretaria Municipal de Agricultura, o problema infelizmente é recorrente tanto na região quanto em todo o estado do Paraná:
"A deriva de agrotóxicos é basicamente o desvio do jato de aplicação de defensivos do alvo da lavoura para lavouras vizinhas, por condições de vento, condições de regulagem equivocada do equipamento, entre outros fatores, que acaba tendo um potencial de dano de até 100% quando a gente está falando de culturas bem sensíveis, como é o caso da uva." — Tales Lehr
O professor da UTFPR, Antonio Pedro Brusamarello, ressaltou o papel acadêmico e prático do evento:
"A gente está trabalhando, principalmente através desse seminário, com palestras direcionadas ao posicionamento de herbicidas e também na tecnologia de aplicação, para estratégias que minimizam o problema da deriva e, consequentemente, venham a ajudar os produtores." — Antonio Pedro Brusamarello
Legislação e Distâncias Mínimas de Segurança
Hoje no país, o controle da deriva de herbicidas é regulamentado pela Lei dos Agrotóxicos e por normas estaduais e municipais que preveem regras severas e penalidades para danos ambientais.
O engenheiro agrônomo e fiscal da Adapar, Paulo Ricardo, destacou a existência da Portaria nº 129, que estabelece distâncias mínimas de segurança obrigatórias para a aplicação de agrotóxicos:
"Resumidamente, a distância mínima seria de 50 metros. Então, um produtor rural ele não pode aplicar agrotóxico a menos de 50 metros de locais estabelecidos na portaria, que são: núcleos populacionais, nascentes, escolas e culturas suscetíveis a dano." — Paulo Ricardo
Soluções e Ações Conjuntas
A solução para o problema da deriva exige uma ação coordenada e preventiva entre todas as partes envolvidas:
Para o Lavoureiro: Escolha adequada do produto e da época de aplicação, boa regulagem dos maquinários, monitoramento rigoroso das condições climáticas (evitando ventos fortes e altas temperaturas) e respeito absoluto à distância de segurança de 50 metros de áreas sensíveis.
Para o Viticultor: Adoção de barreiras físicas (como quebra-ventos), diálogo constante com os vizinhos e conversa prévia para evitar a aplicação de defensivos em épocas de maior sensibilidade da uva.