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Celulares nas escolas: um ano da lei

Um Ano de Lei: Proibição de Celulares nas Escolas Reduz Distração, mas Ainda Desafia Gestores Completou um ano a entrada em vigor da legislação que restringe o uso de aparelhos celulares por estudantes durante o período de aulas. Um levantamento recente do Ministério da Educação (MEC) revela o impacto profundo da medida: hoje, 92% das escolas brasileiras já implementaram a restrição.

Antes da nova regra, cerca de 13% das instituições de ensino permitiam o uso dos aparelhos em qualquer espaço e horário. Atualmente, esse percentual caiu para zero. A legislação abre exceções apenas em casos de atividades pedagógicas previamente planejadas pelos professores ou em situações muito específicas.

Tecnologia Sim, Celular Não

Para a diretora escolar Viviane Polo, a mudança trouxe um divisor de águas no ambiente de aprendizagem. Ela destaca que a escola possui infraestrutura digital — como quatro laboratórios funcionando e tablets para os alunos —, o que anula a necessidade do smartphone pessoal na carteira.

"Antes a gente percebia muita distração, era muito fácil os alunos pegarem o celular com frequência. Hoje, esse uso se restringiu ao pedagógico. Ainda temos situações pontuais em que precisamos pedir para guardar ou encaminhar para a coordenação, mas a diferença é nítida", afirma a diretora.

A Rotina das Caixinhas

Nas salas de aula, a rotina já foi assimilada pelos estudantes. Funciona assim: antes do início de cada aula, os alunos monitores buscam a chave do armário e a lista de chamada com a equipe pedagógica. Ao soar o sinal, todos os celulares devem ser desligados e guardados em uma caixinha ou armário com nichos numerados ao fundo da sala. Os aparelhos só são devolvidos ao final do período letivo ou se o professor autorizar para alguma dinâmica de estudo.

A estudante Alexia Valentina de Lima explica que o processo se tornou automático. "Todo mundo guarda o celular dentro da caixinha e eles fecham. Só abrem quando o professor pede ou no final da aula", conta.

O Desafio da Conscientização

Apesar dos avanços expressivos, a transição ainda exige esforço contínuo da comunidade escolar. Dados do levantamento apontam que quase 4 em cada 10 gestores ainda encontram dificuldades para fazer com que os alunos respeitem integralmente as novas regras.

A pedagoga Adriana Pinheiro defende que o papel dos educadores vai além da imposição.

"Nós vemos com muito bons olhos porque sabemos que é para o bem, para o exercício da atenção, do foco e da socialização. Toda mudança exige quebrar uma rotina antiga. Nosso foco é levar a informação para o aluno saber o porquê disso estar sendo feito, estimulando a colaboração. Caso contrário, existem consequências, assim como na sociedade", pontua Adriana.

Mais Interação e Menos Telas

Para os próprios estudantes, os benefícios de passar algumas horas longe das redes sociais começam a aparecer na convivência diária. A aluna Emilly Ribeiro do Prado relata que a proibição melhorou o clima de amizade no colégio. "Fez com que a gente fizesse novas amizades, conversasse mais com os alunos e tivesse mais interação. Consequentemente, a gente aprende mais", reflete.

O grande desafio daqui para frente, conforme destaca a reportagem, ultrapassa o ato físico de confiscar ou guardar o aparelho. O objetivo central é conscientizar as novas gerações para o uso responsável da tecnologia, provando que a escola se torna um espaço muito mais rico de interação, atenção e aprendizado real quando as telas dão um tempo.


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