O esvaziamento quase total do setor de atendimento adulto acendeu um debate intrigante entre profissionais de saúde e gestores sobre o perfil da demanda diária do serviço de urgência e emergência.
O Impacto nos Números
A diferença no movimento é visível e assustadora. De acordo com a recepcionista da unidade, Clarice Monteiro, uma segunda-feira comum registra uma média expressiva de atendimentos:
"Em uma segunda-feira normal, atendemos de 500 a 600 pacientes. Hoje [dia de jogo do Brasil], até o momento, foram registrados apenas 200 atendimentos."
Essa redução antecipada — que começa a se notar horas antes do apito inicial — mostra que a paixão pelo futebol é capaz de fazer com que dores físicas fiquem temporariamente em segundo plano.
Uma Redução Histórica
Segundo Marta Lemes de Souza, coordenadora da UPA 24h, esse comportamento da população não é uma exclusividade desta edição da Copa do Mundo, mas sim um fenômeno histórico.
"Sempre que há jogo do Brasil na Copa, há uma redução no número de pacientes que procuram o atendimento. Isso já é uma rotina. Não nesta Copa do Mundo, mas em todas as históricas Copas. Sempre há uma redução de busca pelo atendimento de urgência e emergência. Não chega a cessar totalmente, mas reduz bastante", explica a coordenadora.
Esse quadro sugere uma reflexão importante sobre a gestão do SUS: muitos dos casos que superlotam as UPAs em dias normais poderiam, na verdade, aguardar por consultas eletivas ou acompanhamentos ambulatoriais em Unidades Básicas de Saúde (UBS), liberando o sistema para quem realmente enfrenta uma situação de risco iminente.
Setor Pediátrico Segue em Ritmo Diferente
Se por um lado os adultos preferem torcer em casa e adiar a ida ao médico, o cenário no setor pediátrico se mantém constante. Afinal, quando se trata da saúde das crianças, a prioridade não muda com o futebol.
Juliano Martins, pai de uma paciente, relatou que o tempo de espera no atendimento infantil seguiu dentro da normalidade da triagem: "Acredito que, do tempo que eu cheguei, deu uma horinha mais ou menos, mas foi bem atendida. Hoje eu vim aqui e o atendimento foi bom", pontuou.
Diferencial no Atendimento em Pato Branco
A coordenadora Marta Lemes de Souza ressaltou que, por lei, as UPAs têm a obrigatoriedade de disponibilizar médicos plantonistas gerais, e não necessariamente especialistas em pediatria. Contudo, a unidade de Pato Branco se destaca positivamente:
Quadro de Especialistas: A unidade conta com profissionais especializados em Pediatria, Cardiologia, Ortopedia e Medicina Intensiva.
Priorização Técnica: A direção técnica da UPA busca sempre priorizar os médicos com especialização pediátrica para dar vazão à demanda das crianças com maior precisão e qualidade.
A gestão da UPA reforça que, independentemente do dia ou de eventos esportivos, o tempo de atendimento sempre varia conforme a classificação de risco do Protocolo de Manchester, garantindo que os casos graves recebam socorro imediato.